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  Mulher adulta que se alfabetiza tem acréscimo de salário

Mulher adulta que se alfabetiza tem acréscimo de salário maior que homem

Karina Yamamoto
Editora do UOL Educação

Mulheres que se alfabetizam quando adultas conseguem um acréscimo maior em seus salários que os homens na mesma situação. Entre elas, o impacto de aprender a ler e escreve se traduz em um aumento da ordem de 16,6% no contracheque.

Esta é uma das conclusões do estudo "Efeitos da alfabetização de adultos sobre salário e emprego", de autoria de Maúna Soares de Baldini Rocha e Vladimir Ponczek, pesquisadores do Centro de Microeconomia Aplicada da Escola de Economia de São Paulo da FGV.


Segundo o estudo, "os indivíduos que se alfabetizam auferem, em média, rendimentos 9,3% maiores relativamente àqueles que permanecem analfabetos". De modo geral, o estudo aponta uma conclusão que está no senso comum - quanto maior a escolaridade do empregado, melhor é seu salário. Entre aqueles que são empregados formais - ou seja, com carteira assinada - o aumento médio fica em 12%.

Eles escrevem: "nota-se que a formalização não possui impacto sobre o salário, o que sugere que os ganhos salariais decorrentes da alfabetização se efetivam pelo aumento de produtividade, e não pelo fato de pessoas se formalizarem quando se alfabetizam".


Mulheres se beneficiam mais
Segundo o estudo, uma das explicações para que o impacto no salário seja maior entre as mulheres é o fato de habilidades de leitura e escrita serem mais úteis para executar afazeres domésticos, suas ocupações típicas. Já os homens com baixa escolaridade costumam se dedicar a tarefas que exigem força e a alfabetização não impacta em seu trabalho. "Mas isso é uma especulação nossa com base nos dados", frisa Vladimir Ponczek, coordenador do estudo.

A importância dessas informações para decisões a serem tomadas em políticas públicas pode ser traduzidas no retorno do investimento da alfabetização de adultos. Vladimir Ponczek faz uma estimativa: "uma mulher que se alfabetize pode ter um acréscimo de R$ 61 por mês". Ele levou em conta que uma hora de trabalho de um analfabeto gira em torno de R$ 2 e considerou uma semana de 40 horas de trabalho, ou seja, um salário aproximado de R$ 360.

"Quanto custa para alfabetizar uma pessoa?", indaga o pesquisador da FGV. Esse valor dá dimensão de em quanto tempo a alfabetização "se paga". Se adotarmos o custo apresentado pela ONG Alfabetização Solidária, que existe há 12 anos, em menos de três meses. Segundo seu site, custa R$ 168 para se "adotar um aluno".


Soteropolitanos e mais idosos
O estudo traz ainda outras duas conclusões. Entre as regiões metropolitanas pesquisadas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre), o incremento no salário se deu com mais ênfase em Salvador: 21,7% provenientes da alfabetização. Homens em Recife ganham 17% mais e mulheres gaúchas, 23,4% adicionais.

Quando se faz uma análise por idade, pessoas alfabetizadas entre os 45 e 60 anos de idade passam a ter salários 13% maiores. Entre as mulheres, o ganho é ainda mais expressivo, 24,3%. Para os pesquisadores, os dados sugerem que "em populações com baixa proporção de alfabetizados o retorno das habilidade básicas são maiores e significativos".

Fonte: www.uol.com.br


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